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Obesidade

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Hangout da Série: A Psicologia e Você Tema: Obesidade Quadro A Psicologia e Você – Rádio Imperial AM Petrópolis   Tematização: O Ministério da Saúde divulgou uma pesquisa que revela que quase metade da população brasileira está acima do peso. Segundo o estudo, 42,7% da população estava acima do peso no ano de 2006. Em 2011, esse número passou para 48,5%. 1) Professor, quase metade da população brasileira está acima do peso, como explicar esse fenômeno? É relativamente simples. O brasileiro típico come mal, se alimenta de produtos com alto valor energético. Por exemplo, um bom prato de feijão, arroz, macarrão e carne contem energia para um dia de trabalho de um operário. Esse mesmo cardápio, para quem é sedentário contem muito mais calorias do que esse cidadão precisa. Conclusão simples, vai engordar e sem perceber estará em processo crônico de obesidade. 2) E tem níveis de classificação? Sim, vai desde sobrepeso simples até obesidade mórbida e esta vai do nível I até além do nível IV, com extensões para os níveis V e VI. 3) Como enfrentar o desafio da obesidade? Há várias maneiras de enfrentar os desafios da obesidade. Cumpre notar que obesidade não é transtorno alimentar. É do domínio da Endocrinologia e envolve desde causas genéticas até fatores ambientais que afetam o psiquismo da pessoa e levam a atitudes compulsivas, isto e´, mesmo sem precisar do ponto de vista calórico, a pessoa ingere alimentos como que se nutrindo para algo no futuro ou para esquecer algo no presente. Uma pessoa nascida numa família de obesos tenderá a ser obesa salvo se trabalhar seu lado psicológico. 4) Tem tipos de obesidade? O Código Internacional de Doenças – CID 10 – dá conta de: Obesidade por excesso de ingestão de calorias; Obesidade induzida pelo uso de drogas e Obesidade extrema com hipoventilação alveolar. Esta última se refere ao fato de que o ar não chega em quantidade suficiente aos alvéolos pulmonares, em forma simples é obesidade com extrema dificuldade respiratória. 5) Do ponto de vista da Psicologia, o que se pode fazer para ajudar a pessoa obesa a controlar seu peso e sua compulsão eventual? É importante considerar que existem várias vias de auxílio na Psicologia. A que vou aqui relatar pertence à Terapia Cognitiva Comportamental. Sob esse enfoque, levamos a pessoa obesa a refletir sobre seu modo de ver sua vida em três aspectos: a pessoa vista por ela mesma, o modo como a pessoa vê seu mundo e o modo como a pessoa vê seu próprio futuro. Primeiro, destacamos que a pessoa chegou onde chegou por conta de sua história de vida, de suas crenças e de seus pensamentos a respeito de si, dos outros e do futuro dela própria. Trabalhamos em conjunto com a pessoa obesa buscando fortalecer o autoconceito e a capacidade de resolver problemas. Quando a pessoa se dá conta de que a obesidade é resultado de um comportamento instalado ao longo do tempo, procuramos fazer ver se e para onde ela poderá modificar seus pensamentos e suas crenças pessoais. 6) É mesmo possível mudar o comportamento? As vezes a pessoa consegue com mudanças de hábito reduzir seu peso satisfatoriamente, às vezes é o caso de recorrer a cirurgia bariátrica. Mas esta não faz o milagre da mudança. O milagre da mudança está na determinação da pessoa obesa em mudar sua vida, não tanto na direção de ser feliz, mas na direção de ganhar saúde. Já falamos aqui que felicidade é resultado de realização de sentido de vida.  A pessoa precisará decidir se quer sofrer os riscos da compulsão e eventual risco de óbito incluso, ou se partirá para retardar a satisfação para ganhar mais no tempo futuro. Essa técnica consiste em regrar-se na alimentação, para reduzir peso e alcançar o equilíbrio. Pensemos, o que adoece são os excessos, e a compulsão alimentar é um tipo de excesso. Se ajudamos a pessoa a reduzir seus excessos, ela poderá alcançar um patamar de saúde muito melhor. 7) Caso a pessoa escolha fazer a cirurgia como é que funciona depois de feita a cirurgia? Notemos que a pessoa de uma hora para outra não poderá comer compulsivamente mais. A redução de volume implica em imediato senso de satisfação. Se insistir poderá passar muito mal. É de um dia para o outro. Antes comia quanto quisesse, agora não mais. A adaptação traz momentos muito dolorosos para o paciente. Passados os primeiros impactos vem a adaptação. Contudo, nos dois anos que se seguem a pessoa poderá fraquejar e o organismo poderá recuperar gordura armazenada voltando a pessoa ao estado de obesa. Então, o trabalho psicológico antes e depois da cirurgia é fundamental para a manutenção dos ganhos. A aposta na cognição é total. Se a pessoa toma conhecimento do bem que tem, tenderá a mantê-lo. E adicionalmente terá fortalecido a autoestima e a capacidade de enfrentamento de sua realidade objetiva. 8) Então tem um efeito sanfona, com ou sem cirurgia? Há sempre a possibilidade de recaída. O trabalho após cirurgia, ou o trabalho sem a etapa cirúrgica é sempre voltado para a compreensão dos fatos que se apresentam para uma pessoa obesa. Há a dificuldade de obter emprego, há também o constante preconceito e também o bullying. Se a pessoa trabalha ela é discriminada nas oportunidades em função do peso. Tudo isso perpassa o pensamento da pessoa obesa. Ela não se conscientiza totalmente da realidade que a cerca. Imagine que a pessoa viva entre pessoas obesas. Esse grupo cria uma bolha de pseudorealidade e acaba que a pessoa interessada em reduzir o peso não conseguirá seu intento por que seu grupo social não apoia. 9) Como é mesmo que funciona a Terapia Cognitivo Comportamental? Trabalhamos o autoconceito, como a pessoa se pensa e como desejaria ser a futuro. Criamos juntos com a pessoa pontos de apoio para conduzir o processo de mudança. A pessoa precisa acreditar que o que ela pensa antecede ao que ela sente e o que ela sente é que determina como se comportará. Esse princípio ajuda na criação da disciplina e da aderência a essa disciplina. Conjugamos os esforços com guia de atividades semanais de metas progressivas a serem alcançadas. Caso consiga vamos para adiante, caso não, refletimos sobre as causas e retificamos os planos. É um processo de treinamento (coaching) que leva a pessoa a tomar as rédeas de seu comportamento a futuro, de modo bem natural até. Quero dizer que do momento que há uma conscientização de que é melhor perder peso, assim é que será por que isso estará ancorado na determinação de chegar aos objetivos. 10) E como é o treinamento? Varia de pessoa para pessoa, conforme seu grau de tolerância à adversidade e seu grau de determinação para mudança. Haverá sacrifícios, e estes serão compreendidos na sua necessidade e na sua dosimetria. Se ficar muito difícil uma meta, estudamos como dividi-la em submetas e com isso compor um caminho para a meta. Exemplo, se a pessoa escolheu como meta perder 10 por cento do excesso de peso, e só conseguiu 3 por cento, trabalharemos pelos outros sete por cento. E só então programamos os novos passos. O processo de treinamento finda quando a pessoa já dá conta ela mesma de se autorregular em termos de alimentação. Exemplo, com o tempo a pessoa poderá perceber se cometeu excessos e rapidamente compensará com reduções adiante. O fundamental é a pessoa tomar consciência de que está no controle de sua vontade. Os reveses eventuais não serão mais descontados na alimentação. Ela saberá compreender o revés como um fracasso a superar. Fazemos questão da pessoa compreender que numa competição contra si mesma ela sempre ganha. Quando ganha, muito bem, e quando perde, ela aprende, logo sempre ganha. O resultado da autocompetição do que você é com o que você pretende ser é sempre positivo.

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