Rua Teresa, 1515 Sala 196 - Centro - Petrópolis +55 (24) 2243-7904 +55 (24) 99262-8937 contato@tccassist.com.br

Hangout da entrevista sobre a TCC da Depressão

Hangout da entrevista sobre a TCC da Depressão

Nada é bom ou mau, mas pensar o faz sê-lo (William Shakespeare) 1) Qual é a questão fundamental que uma pessoa deprimida não consegue resolver? É o que em Terapia Cognitiva se conhece por Vulnerabilidade Cognitiva, e consiste na dificuldade de interpretar a realidade. Indivíduos portadores de transtornos cognitivos apresentam uma rigidez, ou uma tendência aumentada a distorcer eventos, no momento de processá-los. Tipicamente, a distorção se dá pelos aspectos negativos, os quais o sujeito depressivo não controla e, portanto, não consegue evitar. 2) Com esse viés do negativismo, como pode o paciente depressivo dar conta de suas ações no mundo? Um paciente deprimido, por que vê o mundo de forma distorcida procurará encontrar bases para seu pensamento. Tenderá a fazer o que os outros julgam certo, inibindo sua própria autonomia. Como as ações escolhidas buscam ao outro, antes de si mesmo, esse processo acaba por agravar seu sentimento de solidão e fortalecendo a tendência a se isolar de grupos, e de esquivar-se de responsabilidades, uma vez que confia menos em si, preterindo-se de forma sistemática e contínua. Seu psiquismo vai deteriorando e, se não houver ações de enfrentamento, tenderá a evoluir para quadro grave. 3) Com relação à vulnerabilidade cognitiva quais são os erros de processamento? Bem, há três componentes que se conjugam e articulam a base do pensamento depressivo. Primeiro, o paciente distorce a realidade pela aplicação de viés negativo no qual a pessoa tende a ver o mundo pela forma pessimista, disfuncional e sem chance de entremear com aspectos positivos da realidade presente. Segundo, ele pratica uma seleção de recortes da realidade que confirmam a negatividade descartando os demais, pensamentos. Por último, apresenta resistência à desconfirmação quando confrontados com alternativas de percepção da realidade, dada a necessidade de sustentar um modelo compatível com suas crenças centrais a respeito de si mesmo, do mundo e do que reserva o futuro. 4) Como se pode observar a incidência e a abrangência de sujeitos afetados pela depressão? A depressão afeta pessoas de todas as idades, de todo gênero, de todas as etnias e de todas as classes sociais. As mulheres deprimem mais que os homens (2:1). No Brasil, estimam-se que entre 12% e 18% dos homens e 25% a 27% das mulheres apresentam transtornos depressivos não graves. Grosso modo, de uma a cada quatro mulheres e de um a cada oito homens, é a taxa de incidência da depressão. Observou-se ainda, que há uma tendência a que o primeiro episódio depressivo apareça cada vez em idade mais precoce e que a ocorrência de um episódio depressivo, aumenta a chance de ocorrerem novos episódios ao longo da vida. 5) Quais seriam os fatores que causam a depressão? A depressão é multifatorial. Existe a predisposição biológica, com componentes hereditários; componentes derivados do desequilíbrio hormonal provocado por doenças endócrinas, doenças graves, crônicas e evolutivas e doenças terminais. Há também os fatores ambientais, constituído por estressores sociais, que criam situações adversas de tensão, de isolamento, decorrentes de perdas, interrupção ou reorientação do curso da vida em função de separação conjugal ou mudança no trabalho, que pode implicar em mudança de ambiente para outro no qual o sujeito não encontra amparo. E, por último, os fatores comportamentais que são a Introversão, os neuroticismos, os traços obsessivos, a negatividade na avaliação das condições de vida, dificuldade para fazer escolhas. 6) Como a Terapia Cognitiva compreende o mecanismo da depressão? A TC admite a primazia do cognitivo sobre a emoção. Basicamente, há alterações no estilo cognitivo, que são: o pensamento lento, a baixa concentração, o déficit de memória e a inabilidade na tomada de decisões. Nos casos mais graves tem-se um embotamento severo na capacidade de exercitar as funções do pensamento, notadamente, a memória, a atenção e o raciocínio, chegando, nestes casos, a apresentar comportamento catatônico e não ter condições de, por si mesmo, se alimentar ou fazer higiene corporal, tornando-se completamente dependente dos cuidados de outra pessoa. 7) Sobre a cognição dos pacientes depressivos que padecem da depressão menor, o que se pode afirmar? São três os aspectos relevantes do processamento cognitivo dos pacientes depressivos:a) Motivação: produz perda de interesse no trabalho/lazer, leva ao isolamento social, favorece o comportamento de esquiva, podendo, em caso grave, apresentar ideação suicida. b) Comportamento: tipicamente apresentam passividade, tendência à inatividade, choro frequente, reclamação excessiva, dependência ou exigência. c) Biológico: observa-se alterações no apetite, no sono, podendo-se encontrar também anomalias reversíveis potenciais no eixo hipotalâmico. 8) Quais os modelos de tratamento da depressão? Há diversos modelos de tratamento. Tem-se o modelo terapêutico psiquiátrico com administração de antidepressivos; o modelo terapêutico de base psicoterápica (Psicologia) e o modelo misto de terapia mais antidepressivos. Dentre os modelos de psicoterapia, a Terapia Cognitivo Comportamental tem obtido resultados em tempo menor do que outras abordagens, dado o aspecto focal e breve da TCC. 9)Que limites podem ser apontados no modelo de tratamento medicamentoso exclusivo? A literatura aponta que os medicamentos antidepressivos não combatem a principal causa de ideação suicida que é a desesperança. Este é um aspecto relevante a se apontar. E é também um marcador relevante no tratamento da doença. Se o caso evolui de depressão menor para depressão severa, há que se considerar a psicoterapia como coadjuvante no tratamento do paciente. 10) Como a psicoterapia de base cognitivo comportamental classifica a depressão? Na TCC entendemos que a negatividade do depressivo não é sintoma mas desempenha função central na instalação e manutenção da doença. Existe a primazia da cognição sobre a emoção, isto é, o paciente depressivo não sofre de um problema emocional, antes, de um problema do processamento cognitivo. A depressão é, portanto, um transtorno do pensamento e não um transtorno emocional. Decorre não da realidade, mas da forma que o depressivo interpreta a realidade. A terapia cognitiva comportamental pode fazer diferença a favor do paciente num tempo relativamente curto se comparado com outras abordagens psicoterápicas. Texto indicado para quem esteja sofrendo de episódios depressivos ou que tenham parente ou amigo passando por esse processo.

Assine nossa Newsletter
E fique atualizado!